Nós por cá... na saúde

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sábado, março 12, 2005

500 casos por ano

Proximidade marítima está na origem de 80 por cento dos tumores da tiróide

Portugal regista, todos os anos, 500 novos casos de cancro da tiróide. Especialistas do Brasil, de França e do Canadá estão reunidos no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) numa troca de experiências em torno do tratamento de um dos cancros onde a ciência tem registado maiores progressos.


As grandes concentrações de iodo que resultam da proximidade marítima estão na origem de 80 por cento destes novos tumores da tiróide. Mas não é caso para alarme já que, na maior parte dos casos, o cancro da tiróide é tratado com sucesso.
O director da IPATIMUP, Sobrinho Simões, explica que é sobretudo na fase do crescimento humano que a tiróide se revela indispensável. “A tiróide é uma glândula (…) que temos à frente da laringe e que é fundamental para o nosso metabolismo. É muito importante quando somos novos, nas mulheres que estão grávidas porque é a glândula que regula a actividade metabólica. Quando ficamos mais velhos, ela começa a funcionar menos mas funciona sempre um bocadinho”, refere. A dada altura até podemos livrar-nos totalmente da tiróide fornecendo ao organismo as hormonas que a glândula normalmente produziria. O recurso às ecografias, cada vez mais frequente, fornece uma vasta informação sobre a tiróide. E muitas vezes até causa alarmes desnecessários. Simões acrescenta que “60 a 90 por cento da população portuguesa tem nódulos da tiróide. Felizmente, a grande maioria desses nódulos são benignos. Só que as pessoas quando ouvem dizer que têm o nódulo da tiróide, como sabem que o cancro também aparece com o cancro da tiróide, as pessoas ficam muito assustadas mas não há razão para isso”. Mesmo quando os nódulos são malignos, a resposta da medicina é hoje quase cem por cento eficaz. “A cirurgia da tiróide hoje é muito bem feita em Portugal. Temos excelentes cirurgiões de cabeça e pescoço. Não tem morbilidade praticamente nenhuma, não tem mortalidade e os resultados são óptimos”, defende o director.
De tal modo que, dos cerca de 500 novos casos de cancro da tiróide registados todos os anos em Portugal, 80 a 85 por cento são tratados com sucesso. Os casos mais difíceis são acompanhados e tratados com recurso a terapias de origem biológica, menos agressivas que as tradicionais radioterapia ou quimoterapia. “Neste caso, a célula maligna funciona como a célula normal. Precisa do iodo e capta o iodo. Se se der o iodo envenenado, a célula morre. É um modelo interessantíssimo também biológico”, explica o Sobrinho Simões.
Um modelo que tem vindo a ser desenvolvido no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto. A excelência da investigação do cancro da tiróide no IPATMUP trouxe ao Porto especialistas do Brasil, de França e do Canadá. Por estes dias trocam-se experiências em torno do tratamento de um dos cancros onde a ciência tem registado maiores progressos.