Nós por cá... na saúde

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terça-feira, fevereiro 01, 2005

Quem é o enfermeiro?

Pesquisa mostra que a visão da sociedade sobre a função do enfermeiro ainda é distorcida .




A resposta a esta pergunta pode parecer simples, mas na maioria dos casos ela é respondida de forma equivocada. É o que comprova uma pesquisa realizada por alunos do Isave no Distrito de Braga. O estudo demonstrou que 18,5% dos entrevistados acreditam que o enfermeiro é uma espécie de auxiliar do médico. Em segundo lugar - com 17,4% das opiniões – está o conceito de que o enfermeiro é um profissional que trabalha com doença. Alguns acreditam até mesmo que o enfermeiro existe para substituir o trabalho do médico.
Outros (11% dos entrevistados) pensam que o trabalho do enfermeiro é caritativo. Para os profissionais de saúde, essa indefinição sobre quem é o Enfermeiro por parte da sociedade, é compreensível, uma vez que essa profissão é nova. A prática da enfermagem foi organizada em torno de uma dicotomia religiosa e secular, marcada pelo trabalho missionário, manual, subalterno e realizada por pessoas leigas sem preparo especializado. Além disso, é um trabalho exercido eminentemente por mulheres. Para a Enf.Isabel Marinho o machismo é algo relevante, mas não é o pior fator. “O grande problema é que a sociedade ainda tem pouco contato com o enfermeiro. Geralmente, o profissional de curso superior fica mais na coordenação das equipes, afinal eles são em número insuficiente nos hospitais. Em grandes hospitais, existem um ou dois enfermeiros. Por isso, a população não sabe quem é o enfermeiro (nível superior) e ainda chamam os técnicos (nível médio) e auxiliares (nível fundamental) de enfermeiro. Isso é uma questão sócio-cultural”.
Para ela, toda essa estrutura histórica, social e cultural imprime no inconsciente coletivo essa visão distorcida do profissional. No final do século XIX, com o movimento de profissionalização da área, apareceu o termo Enfermeira, nessa época a profissão foi entendida como um trabalho, uma ação que transforma, uma prática articulada e condicionada por diferentes necessidades e interesses. Para alguns autores, “a Enfermagem é uma prática social historicamente determinada, heterogênea, contraditória, voltada primordialmente, de fato, para o cuidado do paciente (cuidado direto e indireto) e, secundariamente, para a prevenção da saúde”.
Os próprios profissionais da área a partir da década de 80 vêm resgatando sua história com o objetivo de definir seu papel e consolidar um corpo de conhecimento compatível com as necessidades atuais. Uma característica que distingue o enfermeiro dos demais profissionais da saúde é o cuidado. “Acredito que o cuidado humano é uma atitude ética em que seres humanos percebem e reconhecem os direitos uns dos outros”, explica Isabel Marinho. Para a autora, no cuidado humano existe um compromisso, uma responsabilidade em estar no mundo, que não é apenas para fazer aquilo que satisfaz, mas ajudar a construir uma sociedade com base em princípios morais.
“Isso permite construir uma história da qual se tenha orgulho”, ressalta ela. Segundo a pesquisadora, identificar e valorizar as percepções da sociedade sobre o profissional nos ajuda a refletir sobre esse fazer rotinizado para um pensar articulado visando à superação dos fatores restritivos ao processo de cuidar em suas dimensões éticas, estéticas, pessoais e empíricas. “Esse é um dos nossos desafios atuais”, completa Marinho. Luta-se neste momento para mudar esta representação social que o usuário do serviço de saúde tem em relação ao profissional da enfermagem. Pois ao contrário do que muitos pensam, o enfermeiro não está subordinado ao médico.
“O enfermeiro só presta esclarecimentos de sua actuação a um outro profissional de enfermagem. Isso não quer dizer que ele não possa trabalhar de forma multidisciplinar – convivendo de forma harmônica com médicos e outros profissionais. É importante ter sintonia com todos os colegas no ambiente de trabalho, mas quem responde pelo trabalho de enfermagem é o responsável técnico – que também deve ser um enfermeiro”, explica. A conclusão a que se chega é que cada profissional precisa analisar estes aspectos para que sirvam como alerta, no sentido de que os enfermeiros possam agir politicamente para melhorar sua imagem profissional junto à sociedade.
Neste sentido, ressalta-se a necessidade das universidades estarem a trabalhar o verdadeiro conceito acerca do profissional da enfermagem: “É fundamental o entendimento crítico da própria profissão como forma de transformar a representação social destes profissionais. O estudante precisa sair da universidade com o desejo de lutar pelo reconhecimento de sua categoria, ele precisa ter orgulho de sua profissão e ajudar a esclarecer os equívocos dos pacientes em relação á enfermagem”.
No Código de Ética da profissão, a enfermagem é definida como “uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade. Atuando na promoção, recuperação da saúde e reabilitação de pessoas, respeitando os aspectos éticos e legais”. Segundo o Dr. Nelson Parreiras também é preciso que os profissionais estejam cientes da lei que regulamenta a profissão, para poderem exercer seus direitos e deveres de forma completa e efetiva.
Correlata:
Um pouco de história: Entender a história da enfermagem, também ajuda os profissionais a compreenderem o porque da profissão ser encarada de forma errônea pela sociedade. Afinal, a enfermagem antiga se respaldava na solidariedade humana, no misticismo, no senso comum e em crenças. Atualmente, essa profissão procura aprofundar seus aspectos científicos, tecnológicos e humanísticos, tendo como centro de suas actividades, cuidar da saúde do ser humano.
É uma ciência com campo de conhecimento fundamentais e práticas que abrangem do estado de saúde ao estado de doença. A enfermagem passou por três fases distintas de evolução: a empírica ou primitiva, a evolutiva e a de aprimoramento. Na fase empírica ou primitiva, não havia profissionais e a assistência aos doentes era prestada por leigos que usavam dos mais diversos meios de tratamento, mesmo sem recursos e conhecimentos. Na fase denominada evolutiva, foi fundada a Escola de Enfermagem do Hospital Saint Tomas, que receberia após o nome de Escola de Enfermagem Nightingale, onde foram lançadas as bases de ensino com a preparação das primeiras enfermeiras. Na fase de aprefeiçoamento, a enfermagem passa a considerar o indivíduo como um centro de cuidados, com atendimento individualizado.
Qual o Papel do Enfermeiro?

Enfermeiro: O Enfermeiro exerce todas as actividades de Enfermagem, cabendo-lhe, privativamente a direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem. Cabe também a este profissional, a organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas actividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; o planeamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem. O profissional pode exercer ainda a consulta de Enfermagem; a prescrição da assistência de Enfermagem; e cuidados directos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida. Este profissional também é responsável pela prevenção e controle sistemática de infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral.


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6 Comments:

At 11:36 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Artigo interessante... especialmente pelo carácter didáctico e pedagógico. No entanto, penso que as vossas respostas foram influenciadas, pela forma como as perguntas foram feitas... Por exemplo, se perguntarem a algum utente num hospital, para diferenciar quais são os enfermeiros e quais são os médicos, muito provavelmente as pessoas não errarão... Os utentes ainda que não saibam muito o que os diferencia (digam-me, vocês conseguem diferenciar um jurista, de um magistrado ou de um advogado? Por acaso, também conseguem diferenciar um economista de um gestor de empresas, ou de um gestor de recursos humanos? Falo em diferenciá-los de uma forma que todos achassem aceitável...). Os utentes sabem muito quem é quem... e isso já é meio caminho andado. Temos outros assuntos mais importantes para tratar e que merecem a nossa preocupação. Quem precisa sabe quem nós somos, se não sabe tudo o que fazemos é porque nós não lhe dizemos. Agora porque não o dizemos é outra questão... Leiam o "Do Silêncio à Voz". É um livro que alerta para algumas pistas...

Karlwork

 
At 11:49 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Na teoria tudo é muito bonitinho!!!! O curso de medicina dura 06 (seis)anos + a residencia médica 02 (dois) anos. A maior vontade do enfermeiro é emitir ATESTADO e diagnosticar. O Médico é o ápice da profissão, o que pode se observar na diferença salarial. Os enfermeiros, técnico e auxiliares só sabem brigar entre si, e são sim, na prática e no dia a dia, SUBORDINADOS DOS MÉDICO SIM, NÃO ADIANTA REMAR CONTRA A MARÉ!!!!

 
At 6:43 da tarde, Anonymous Priscila Lopes said...

Pessoas inteligentes e bem informadas não dizem que enfermeiros são auxiliares de médico, muito menos que a maior vontade deles é emitir atestado e diagnosticar (ri muito dessa fala). Vc acha mesmo que eu faria uma faculdade SÓ pra emitir atestado?? meu conhecimento científico vai além dessa função. Depois, que o enfermeiro diagnostica sim, mas ele faz o DIAGNOSTICO DE ENFERMAGEM, que diz como o paciente se encontra a cada momento, não se prendendo a apenas uma doença, pois o enfermeiro é quem faz o acompanhamento do paciente durante sua internação. exemplo de diagnostico de enfermagem: paciente é diabético e no dia tal estava com X nível de glicose, etc e tal. O diagnostico de enfermagem também permite que o enfermeiro PRESCREVA os cuidados DE ENFERMAGEM que devem ser aplicados ao paciente, e não somente executá-los (como é o caso do técnico de enfermagem, que merece todo o respeito por seu trabalho, igualmente). Enfermeiro não é executor do que o médico manda, ele é muito mais que isso. Se eu fosse te explicar tudo ficaria um ano escrevendo aqui. Mas esse comentário que fiz foi só pra que vcs saibam que o enfermeiro tem CONHECIMENTO CIENTÍFICO, ele estuda anatomia, citologia, histologia, fisiologia.. e é com base no pensamento cientifico que ele elabora e planeja as ações do técnico. Entenderam?! Beijos

 
At 11:50 da tarde, Anonymous Priscila de Oliveira said...

Esse segundo cometário só pode ser de algum médico. Pra vc saber o enfermeiro tem muito mais papéis e funções que um médico, o hospital funciona sem médico mais é interditado sem enfermeiros e sua categoria.

 
At 9:38 da tarde, Anonymous Anónimo said...

EM RELAÇÃO AO SEGUNDO COMENTÁRIO, É POR PESSOAS QUE PENSAM ASSIM QUE A SAÚDE NO BRASIL NÃO PROGRIDE, MÉDICOS QUE SÓ ESCOLHEM ESSA PROFISSÃO PARA SE AUTO VANGLORIAR, AO INVÉS DE HAVER UNIÃO DE TODOS ENVOLVIDOS NA ÁREA PARA MELHORIAS DA SAÚDE DE TODOS,DAÍ SE VÊ O PORQUE DE UM SISTEMA DECADENTE E MÉDICOS INCOMPETENTES PREOCUPADOS APENAS EM ANDAR COM UM ESTETOSCÓPIO PENDURADO NO PESCOÇO SÓ PARA TODOS VEREM QUE SÃO MÉDICOS, AO INVÉS DE CUIDAR DE PACIENTES QUE OS PROCURAM ESPERANDO OBTER A SOLUÇÃO PARA SEUS PROBLEMAS DE SAÚDE, QUER APARECER PENDURA UMA MELANCIA NO PESCOÇO AO INVÉS DE PERDER INUTILMENTE 8 ANOS OU MAIS DENTRO DE UMA UNIVERSIDADE PARA SAIR COM UM CARATÉR PIOR DO QUE ENTROU. QUEM PENSA ASSIM MELHOR REAVALIAR OS MOTIVOS DA ESCOLHA DA PROFISSÃO, E SE PENSAM IGUAL, TENHO PENA DOS COITADOS DOS PACIENTES QUE TERÃO O DESPRAZER DE CAIR NAS MÃOS DE MÉDICOS ASSIM.

 
At 8:39 da tarde, Anonymous Fernanda Sandes said...

Infelizmente fico muito triste de saber que realmente existem pessoas assim (referente ao segundo comentário). Sou enfermeira e acredito numa equipe integrada, tanto médicos como enfermeiros e demais categorias. Porque o principal objetivo é a saúde do paciente. Mas é triste ver que existem muitos profissionais que ao se formarem visam a sua autonomia e não o bem ao próximo. Mas infelizmente sempre ecistirão profissionais assim, tanto na medicina quanto em todas as outras categorias.
Só uma observação: quantidade n~]ao é qualidade. Conheço trabalho de muitos médicos excelentes, mas também conheço médicos que não tem ideia do que fazem. Essa é a triste realidade. Bem como de enfermeiro, que fazem trabalhos ilustrissimos baseados na ciência e outros que infelizmente não reconhecem e sabem a responsabilidade de sua profissão. Então acho que caad um em seu devido lugar, com sua autonomia em proporcionalidade ao seu saber científico.
E uma última consideração: se o médico pede que eu faça algo que eu esteja ciente que prejudicará o cliente, eu não realizarei. Isso é ser subordinado? Não, isso é ter conhecimento da profissão que escolhi, com muto carinho e orgulho.
:)

 

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